7

Baseado em fatos reais. E um pouco de ficção.

Posted by Paula Martins on 06:42
Quanto medo eu tenho dele. A ameaça sempre esteve perto de mim e eu nunca pude perceber, mas agora não há como fugir, tenho que enfrentar esse monstro que me cerca.

Tudo começou de maneira inocente, amigos de faculdade, colegas como quaisquer outros, porém, a excessiva tentativa de aproximação dele me assustava. Cheguei a confundir como excesso de carência, ele deveria ter algum problema em casa ou até mesmo de saúde. Mas não. Ele é normal ou um dia foi, já não sei dizer.

Certo dia, a turma havia combinado de sair e eu peguei o telefone de todos, ele viu o meu celular e elogiou, disse que era exatamente o modelo que desejava comprar, mas que estava muito caro. Comentei que já achava que era um tipo de celular que estava fora de moda, que já não gostava mais dele. Ah se eu tivesse ficado calada. Todos os meus problemas começaram nesse momento. Passado o passeio, o qual ele não foi e todos agradeceram por isso, nos reunimos na faculdade e comentávamos alegremente de todos os momentos maravilhosos que tínhamos passado. Ele, sempre distante da maioria, apenas sorria, discretamente. Era nítido que ele não tinha ido junto e não havia presenciado todos os bons momentos que era ditos e repetidos insistentemente por todos.

Enquanto eu guardava meus livros na bolsa, Ele aproveitou o meu distanciamento do grupo e voltou ao assunto do celular. Pensei que era uma tentativa de se enturmar. Novo engano meu.
Ele novamente comentou do modelo e eu tive a brilhante idéia de vendê-lo, afinal, para mim, já era ultrapassado e eu poderia ganhar uma graninha para comprar um modelo mais tecnológico.
Acerto feito. Celular vendido.

Pouco tempo depois, Ele saiu da faculdade, realmente não tinha se enturmado, era uma espécie de maça podre, ovelha negra da turma. Não que ele tivesse feito algum mal para alguém, apenas não agradava a maioria.

Passados meses de sua ausência, seu nome voltou com força em minha vida. Eis que descubro que possuía uma dívida com a minha antiga operadora, uma dívida que, para mim, não deveria existir. Ele havia mudado o número para conta pós-paga em meu nome e utilizou os meus documentos para comprar outros aparelhos. Pensei que isso tinha sido um pesadelo, mas nada se compara ao que estou sentindo nesse momento.

Ele não é apenas uma pessoa com dificuldades de interação, mas sim, uma pessoa que deveria estar banida do convívio social. Ele é um psicopata e nesse momento está em frente a mim, me ameaçando, tirando a minha paz.

Não tenho para onde correr e nem sei como escapar. A tortura psicológica me deixou paralisada. Será que eu valho apenas míseros reais? Será que por um motivo tão bobo a minha vida será tirada sem que eu ao menos possa me despedir da minha família e de meus amigos?Com a cabeça entre os joelhos e sentindo o gelo do ferro em minha nuca eu só consigo pensar “Que tudo acabe bem, que tudo acabe bem”. E acabou.

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Medo do Escuro

Posted by Paula Martins on 16:44
Toc, toc, toc
Alguém bate com força em minha porta
Medo
Fico aterrorizada imaginando a força dessas mãos em meu corpo
Chuva
A tempestade não cessa e os raios são constantes
Grito
Minha garganta seca agoniza com o grito entalado
Força
Cada vez mais forte agora. A minha porta não vai aguentar
Vozes
Outras vozes anseiam o momento da invasão
Trovão
Agora os trovões caem conforme a batida do meu coração
Rompimento
A porta começa a se abrir e aos poucos vejo o meu pior pesadelo diante de meus olhos
Golpe
...
Escuridão
Não vejo absolutamente mais nada
Luz
O branco anuncia o início da eternidade.

21

Anestesia

Posted by Paula Martins on 14:10
Não existe coisa pior que anestesia e eu não me refiro àquela que geralmente dão em hospital, me refiro a anestesia psicológia e sentimental. Muitas vezes, após grandes eventos, as pessoas perdem a habilidade de sentir seja amor ou ódio.
Um dia desses eu estava caminhando na Avenida Paulista, ouvia distraidamente algo bem tranquilo, quando percebi um aglomerado de pessoas em uma das esquinas. Nada mais lógico que pensar que elas estavam esperando a abertura do sinal para atravessarem a rua. Inocência a minha. Todos estavam observando um resgate no meio da avenida envolvendo um motorista de um carro esporte e de um motociclista.
Eu não observei o resgate, mas sim as pessoas. Me dei conta que todos emanava o mesmo sentimento, frustração. Pois é, frustração por não conseguirem enxergar os feridos, afinal, as viaturas de resgate e da polícia impediam a visão.
Me perguntei: "O que se passa com essas pessoas?". Isso é uma forma de estar anestesiado. Quando algo que deveria chocar se torna cotidiano e mundano ninguém mais consegue sofrer com ele.
As pessoas estão extremamente envolvidas com seus sentimentos egocêntricos e colocam seus interesses acima de qualquer coisa. Aposto que se o acidente acontecesse em um filme ou em uma novela, a sociedade brasileira ficaria "emocionada".
Sentir algo, atualmente é algo racional e menos espontâneo. Estamos todos anestesiados em nossa própria ignorância...

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Quer saber o que eu penso?

Posted by Paula Martins on 04:37
Quer saber o que eu penso?
Pois tome! Prove! Sinta!
Eu tenho preguiça de quem não comete erros.
Tenho profundo sono de quem prefere o morno.
Eu gosto do risco. Dos que arriscam.
Tenho admiração nata por quem segue o coração.
Eu acredito nas pessoas livres.
Liberdade de ser.
Coragem boa de mostrar.
Dar à cara a tapa!
Ser louca, estranha, linda, chata!
Eu sou assim.
Tenho um milhão de defeitos.
Sou volúvel, sou instável.
Sou viciada em gente.
Adoro ficar sozinha.
Eu vivo para sentir.
Por isso, eu te peço.
Provoque-me.
Beije-me a boca.
Desafie-me.
Tire-me do sério.
Tire-me do tédio.
Vire meu mundo do avesso!
Mas, por favor, me faça sentir.
Eu quero rir até a barriga doer.
Chorar e ficar com cara de sapo.
Este é o meu alimento: palavras para uma alma com fome.
Você agüentaria viver na montanha-russa que é meu coração?
Desculpe, mas nada é pouco quando o mundo é meu !
Não me dêem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre!
Não me mostrem o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração.
Não me façam ser quem não sou, não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente!
Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra sempre!

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Momento inspirado de uma pessoa q eu gosto mto...

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Diferença de idade importa?

Posted by Paula Martins on 10:37
Ainda estou na metade do livro "O Leitor", de Bernhard Schlink, e cá estou eu pensando sobre a diferença de idade entre um casal.
A maioria das pessoas tem preconceito quando a diferença de idade de um casal é muito alta. É comum pensar que um jovem, seja homem ou mulher, é interesseiro quando o seu parceiro(a) tem algumas décadas a mais. Se for rico então, nem se fale.
Mas como tudo na vida existe exceção. Muitas vezes o sentimento por sim ser verdadeiro.
Quando eu tinha 18 anos me envolvi com uma pessoa 23 anos mais velha que eu. Saímos apenas 2 vezes e tivemos conversas tão agradáveis que, dificilmente, eu tereia com alguém da minha idade. Eu era fascinada por ele.
Dois fatores impediram a continuidade daquele caso. Primeiro, por ele era meu professor (ui!). Segundo, porque o filha da mãe nunca havia me dito que era casado (ele não usava aliança). Podem pensar, "viu, ele não estava interessado em algo sério com você". Sinceramente, pouco me importa, ligo muito mais para o que eu sentia e era verdadeiro.
Enfim, espero que o livro termine bem, espero...


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Pedofilia virtual, como combater?

Posted by Paula Martins on 16:42

Na semana passada, durante uma aula, falei sobre o perigo que é os pais não vigiarem o que os filhos pequenos acessam na internet.
Em março, foi amplamente divulgado que um jogo japonês que simula estupro, pedofilia e aborto, estava sendo vendido livremente pelas ruas de São Paulo. O nome é Rapelay. Eu fiquei extremamente indignada.
O jogo se desenrola de tal forma que muitas vezes a criança pode pensar que manter uma relação sexual com um adulto é normal. Aí que mora o perigo. Se a criança não sabe que é errado, como ela vai descobrir o sofrimento que isso causa? Somente vivendo. Sendo assim, elas ficam expostas a abordagens de malandros na saída do colégio que podem oferecer o game a elas, em salas de bate-papo, etc.
Pior ainda é saber que é possível baixar o jogo em alguns sites. Eu mesma procurei e achei vários.
Para tentar fazer a minha parte, acessei sites que se propõem a combater esse tipo de crime. Um deles é o http://www.censura.com.br/.
Existe vários explicativos e direcionamentos para fazer a denúncia ao Ministério Público, para a Polícia Federal e até para a Interpol.
Se você também quiser denunciar algum site relacionado a esse tipo de crime, pode fazer por meio do link http://producao.prsp.mpf.gov.br/denuncia/denu.php
Eu já denunciei dois. O interessante é que gerado um número de protocolo e você pode acompanhar a situação da sua denúncia. Há outros crimes que você pode informar, além de pedofilia:
* Racismo;
* Intolerância Religiosa;
* Neo Nazismo;
* Xenofobia;
* Homofobia;
* Apologia e Incitação a crimes contra a Vida;
* Maus tratos contra animais.
Sei que é pouco, mas se cada um fizer um pouco, já será uma ajuda e tanto!

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A infância vai até que idade?

Posted by Paula Martins on 20:07
Estava lendo um texto sobre a situação das crianças soldados no mundo e me veio na cabeça uma série de questionamentos...

Criança...constantemente fico refletindo o que essa palavra realmente significa. As crianças soldados me fizeram pensar em um paralelo com a situação das "nossas crianças soldados"....

Devemos ter pena dos jovens que são obrigados a segurar uma arma, a matar inocentes, caso contrário eles mesmos iriam morrer? Temos que ter pena de uma criança que te rouba, que serve de laranjinha e segura uma arma no morro carioca a mando de um traficante?

Apenas um dia separa, legalmente, uma "criança" ou um "menor" da vida adulta. Em um dia apenas ele pode ser considerado vítima da sociedade capitalista, das atrocidades do mundo e no outro se torna um jovem adulto violento, sangue frio.

A questão das crianças soldados é delicada, deve ser vista com atenção pelo mundo, porém, as demais "crianças" em situações de pseudo-guerra civil também.

Rosseau diz que "Um povo livre obedece, mas não serve; tem chefes e não senhores; obedece às leis, mas só obedece às leis; e é pela força das leis que não obedece aos homens." Por isso, um homem não pode ser senhor de uma criança se colocando acima da lei. Ao mesmo tempo, espero que acabem as leis que protegem as falsas "crianças".

Sinto pena das crianças sequestradas a caminho da escola pela milícia de Lubanga, no Congo, mas não da "criança" Champinha que, em 2003, afirmou que "deu gosto" matar Liana Friedenbach...

4

É assim que te quero, amor - Pablo Neruda

Posted by Paula Martins on 16:52
Eu simplesmente adoro Pablo Neruda. No poema "É assim que te quero, amor", ele demonstra todo sua aceitação pelo que a mulher amada é, desde seus pequenos detalhes...
Tenho uma amiga que, em um passado não muito distante, estava namorando um cara realmente detestável que queria mudar o que ela era por dentro e por fora. Acho hipocrisia alguém dizer que está apaixonado, mas que fica tentando mudar algo na pessoa amada. Afinal, se você conseguiu amar uma pessoa de um jeito, por que você necessita modificá-la? 
Amor é aceitação, perdão, devoção...muitas vezes é loucura, cegueira momentânea, fogo ardente que se torna uma chama eterna, porém, mais controlada...amor é companheirismo, divisão.
Não existe 1 quando se fala de amor...amor é sempre 2...1 é egoísmo...
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É assim que te quero, amor,
assim, amor, é que eu gosto de ti,
tal como te vestes
e como arranjas
os cabelos e como
a tua boca sorri,
ágil como a água
da fonte sobre as pedras puras,
é assim que te quero, amada,
Ao pão não peço que me ensine,
mas antes que não me falte
em cada dia que passa.
Da luz nada sei, nem donde
vem nem para onde vai,
apenas quero que a luz alumie,
e também não peço à noite explicações,
espero-a e envolve-me,
e assim tu pão e luz
e sombra és.
Chegastes à minha vida
com o que trazias,
feita
de luz e pão e sombra, eu te esperava,
e é assim que preciso de ti,
assim que te amo,
e os que amanhã quiserem ouvir
o que não lhes direi, que o leiam aqui
e retrocedam hoje porque é cedo
para tais argumentos.
Amanhã dar-lhes-emos apenas
uma folha da árvore do nosso amor, uma folha
que há-de cair sobre a terra
como se a tivessem produzido os nosso lábios,
como um beijo caído
das nossas alturas invencíveis
para mostrar o fogo e a ternura
de um amor verdadeiro.

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