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Baseado em fatos reais. E um pouco de ficção.

Posted by Paula Martins on 06:42
Quanto medo eu tenho dele. A ameaça sempre esteve perto de mim e eu nunca pude perceber, mas agora não há como fugir, tenho que enfrentar esse monstro que me cerca.

Tudo começou de maneira inocente, amigos de faculdade, colegas como quaisquer outros, porém, a excessiva tentativa de aproximação dele me assustava. Cheguei a confundir como excesso de carência, ele deveria ter algum problema em casa ou até mesmo de saúde. Mas não. Ele é normal ou um dia foi, já não sei dizer.

Certo dia, a turma havia combinado de sair e eu peguei o telefone de todos, ele viu o meu celular e elogiou, disse que era exatamente o modelo que desejava comprar, mas que estava muito caro. Comentei que já achava que era um tipo de celular que estava fora de moda, que já não gostava mais dele. Ah se eu tivesse ficado calada. Todos os meus problemas começaram nesse momento. Passado o passeio, o qual ele não foi e todos agradeceram por isso, nos reunimos na faculdade e comentávamos alegremente de todos os momentos maravilhosos que tínhamos passado. Ele, sempre distante da maioria, apenas sorria, discretamente. Era nítido que ele não tinha ido junto e não havia presenciado todos os bons momentos que era ditos e repetidos insistentemente por todos.

Enquanto eu guardava meus livros na bolsa, Ele aproveitou o meu distanciamento do grupo e voltou ao assunto do celular. Pensei que era uma tentativa de se enturmar. Novo engano meu.
Ele novamente comentou do modelo e eu tive a brilhante idéia de vendê-lo, afinal, para mim, já era ultrapassado e eu poderia ganhar uma graninha para comprar um modelo mais tecnológico.
Acerto feito. Celular vendido.

Pouco tempo depois, Ele saiu da faculdade, realmente não tinha se enturmado, era uma espécie de maça podre, ovelha negra da turma. Não que ele tivesse feito algum mal para alguém, apenas não agradava a maioria.

Passados meses de sua ausência, seu nome voltou com força em minha vida. Eis que descubro que possuía uma dívida com a minha antiga operadora, uma dívida que, para mim, não deveria existir. Ele havia mudado o número para conta pós-paga em meu nome e utilizou os meus documentos para comprar outros aparelhos. Pensei que isso tinha sido um pesadelo, mas nada se compara ao que estou sentindo nesse momento.

Ele não é apenas uma pessoa com dificuldades de interação, mas sim, uma pessoa que deveria estar banida do convívio social. Ele é um psicopata e nesse momento está em frente a mim, me ameaçando, tirando a minha paz.

Não tenho para onde correr e nem sei como escapar. A tortura psicológica me deixou paralisada. Será que eu valho apenas míseros reais? Será que por um motivo tão bobo a minha vida será tirada sem que eu ao menos possa me despedir da minha família e de meus amigos?Com a cabeça entre os joelhos e sentindo o gelo do ferro em minha nuca eu só consigo pensar “Que tudo acabe bem, que tudo acabe bem”. E acabou.

7 Comments


Fiquei bem confusa diante disso ... mas se fosse eu denunciaria e se soubesse onde ele mora e etc iria tirar satisfaçao.. kkkkkk mas devia ter vendido o aparelho só ! adorei o post ! bjao ja to seguindo


Confesso que me senti num filme. Na verdade, me senti como se você estivesse aqui do meu lado, falando tudo isso enquanto eu imaginava - como num flashback - esses acontecimentos. A narrativa foi interessante, pude até ver o sorriso discreto no rosto dele. Imaginei-o com olhos que agouram, que olham fixamente, como os do Hannibal.
Minha sugestão é que você dê o troco: empenhe-se em descobrir sobre ele, em persegui-lo, amedrontá-lo; por fim, destrua-o.
[eu tô achando que vida real é igual filme]


Querida amiga avassaladora... nossa que coisa angustiante!
Infelizmente acontece de verdade e muito mais que pensamos... se for verdade, denuncie!


eu gosto de textos assim, que instigam a minha imaginação =D


nossa agora minha imaginação ta correndo solta, tentando descobrir o que houve. mas infelizmente na sociedade existe sempre esses psicopatas que por diversão pioram a vida dos outros.
http://infortunio-dark.blogspot.com/


Realidade pura o seu texto e acontece mais do que se pensa.
O ideal é a pessoa denunciar para que o pior não aconteça.


Muito boa a sua escrita. Acho que deveria escrever um livro.

Gostaria de saber qual parte é real e quanto disso é ficcão. =D
Valeu pelo comentário lá no Literatura e Cinema

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